quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A lenda dos quadrinhos


É difícil começar este texto. É difícil até mesmo tentar entender a notícia. "Ele partiu", "ele morreu", "ele se foi". Não há frase que justifique ou suavize sua partida. Só nos resta (digo: a nós, fãs de comics e graphic novels) a amarga realidade: morreu, nesta segunda-feira, o genial Stan Lee. 

Primeiramente: se você não sabe quem é Stan Lee pare agora, pois este texto não é para você. Este texto é para os fanáticos por quadrinhos e nerds por opção. E mesmo para esses é difícil explicar em poucas palavras quem foi Stan Lee. Explicá-lo renderia, no mínimo, uma tese de doutorado (e mais: a ser defendida numa das universidades da Ivy League)

Mas resumindo em poucas palavras - se é que isso é possível, em se tratando de tal gênio artístico - ele foi o criador (junto com outras feras do ramo como Steve Ditko e Jack Kirby, só para ficar nos gigantes, pois sim, ele não realizou tudo sozinho; seria puro esnobismo dar a ele todos os méritos por tudo o que a Marvel se tornou durante as décadas!) de grande parte dos heróis que nós, no auge da infância e da adolescência, escolhemos admirar, seguir, acompanhar, bajular, ou qualquer outro verbo que explique essa relação quase doentia entre leitores e personagens. 

Falo mais especificamente de Homem-Aranha, Capitão América, Thor, Homem de Ferro, X-Men, Quarteto Fantástico, Pantera Negra, Nick Fury, Doutor Destino... Melhor parar por aqui porque a lista é imensa e se eu esquecer de alguém, sempre vai ter um fã chato para reclamar depois. 

E isso tudo se tratando de um cara que começou, acreditem!, como preenchedor de textos. Isso mesmo. Que evolução não é mesmo?

Além da obra, que fala por si só, Stan Lee também ficou famoso nos últimos anos por suas aparições super engraçadas nas adaptações para o cinema de muitos dos seus personagens. Conheço gente que ia ao cinema e ficava esperando pacientemente sua rápida aparição para dar uma gostosa gargalhada (chegaram a fazer piada na época em que os filmes da concorrente DC Comics iam mal das pernas, dizendo "bem que o Stan Lee podia aparecer rapidinho para dar uma força aos caras!"). 

Sua fama tornou-se tão vivaz que virou figura recorrente na série de tv The big bang theory, sempre tirando sarro com a cara do Sheldon (Jim Parsons), o mais, digamos, nerd do quarteto principal. O episódio que o personagem tenta invadir a casa de Stan Lee é um dos meus preferidos até hoje!

Contudo, nos últimos anos, ele vinha mal de saúde, internando de quando em quando, por conta de uma pneumonia diagnosticada em fevereiro deste ano e em alguns tablóides, começaram a comentar da dificuldade do velho mestre gravar suas participações nos longas, algo que ele adorava fazer. E eis que chega o momento em que a conta é cobrada e Stan nos deixa aos 95 anos. 

Se há uma pessoa na indústria dos quadrinhos que vendeu com a própria alma o seu trabalho, o seu talento, esse indivíduo foi Stan Lee. Ele poderia ser o avô que eu não conheci. Sempre boa praça, sempre solícito, nunca se negando a dar entrevistas e pequenas dicas sobre os próximos projetos a seguir. 

É com muito pesar que termino este mísero artigo com lágrimas nos olhos. Esse homem foi uma das pessoas que me ensinou a ler, que fez da minha infância algo extremamente divertido. Fica com Deus, Stan! Você merece e merecerá cada honraria que receberá de seus fãs nos próximos dias. 

Será que na próxima encarnação - se houver - eu encontrarei as revistas que você escreveu de novo? Espero ansiosamente que sim.


domingo, 11 de novembro de 2018

A banda que definiu a minha geração


Lembro da primeira vez que ouvi a banda Queen. Foi inebriante em todos os sentidos. A voz de Freddie Mercury, a guitarra de Brian May, a bateria de Roger Taylor, o delírio, a gritaria dos fãs (era o vídeo de um show em wembley). Lembro também da primeira vez que vi na MTV o clipe de "I want to break free", com Mercury vestido de mulher, saia de couro preta, camisa rosada, brincões. Achei um tapa na cara dos provocadores que atiçavam Freddie e sua opção sexual. Ousadia pura. 

O Queen entrou na minha vida desde o primeiro minuto porque eu assim o quis. E mesmo assim lembro de "colegas" me perguntando se eu fazia parte da galerinha (em outras palavras: se eu também era gay e por isso gostava do grupo). Coitados! Não conseguiam curtir um artista além de suas vidas pessoais. Volta e meia reencontro com um ou outro, agora mais velhos. Estão ainda piores do que naquela época. 

Pergunto-me o que eles iriam pensar se fossem ao cinema assistir ao longametragem Bohemian Rhapsody, de Bryan Singer (que mais uma vez prova ser um bom diretor quando não está realizando filmes de super-heróis, que o catapultaram à fama em hollywood). Pena que ele acabou demitido durante a produção, acusado de assédio por uma das muitas mulheres que andam apoiando o movimento Me too atualmente nos EUA. 

Bohemian Rhapsody é um projeto que já nasceu polêmico. Seja pela maneira como a opção sexual do protagonista (vivido no longa pelo ótimo ator Rami Malek, mais conhecido aqui no Brasil pelo protagonista na série de tv Mr. Robot) seria abordada no longa, seja pela eterna mania de certos fãs de defenderem a ideia mordaz de que certas bandas são imortais e não devem ser transpostas para fora de seu cenário original (no caso, os palcos, turnês e festivais). Mesmo assim, Singer comprou a briga e realizou um filme no mínimo honesto (para os fãs mais exaltados) e no máximo uma viagem nostálgica (para aqueles que gostam de lembrar de momentos pontuais da carreira da banda). 

Tudo aquilo que você espera de uma cinebiografia está presente aqui: A voz do vocalista do grupo preservada (não adianta: ninguém ia querer assistir o filme se fosse o ator mesmo cantando... Certas vozes são eternas!), as brigas entre os integrantes, os rachas com gravadoras (aqueles que viram o Queen passar por seus escritórios e mesmo assim o esnobaram), os relacionamentos amorosos envolvendo o protagonista, desde a musa original até os... aham... vocês sabem, as canções mais famosas e como cada uma delas entrou num momento preciso da vida daqueles quatro rapazes. 

Isso sem esquecer, é claro, de quando a AIDS entra na vida de Mercury, tornando a jornada rumo ao sucesso um verdadeiro "andar pelo gelo fino" e a relação obsessiva com Paul Prenter, que quase levou ao fim da banda. 

A grande apoteose de Bohemian Rhapsody é, sem dúvida, a recriação quase mediúnica do show feito pelo Queen no Live Aid em 1985, não deixando de lado momentos específicos que poderiam até ser suprimidos, mas que o diretor fez questão de mostrar para exemplificar o seu fascínio pela banda. Procurem no you tube o vídeo original da apresentação. Tenho certeza que ficarão boquiabertos. 

Entretanto, os brasileiros sentirão uma pontada de orgulho ao ver a lembrança do coro no Rock in Rio (também em 1985) cantando "Love of my life" lado a lado com Freddie, outro daqueles momentos que nunca saíram da minha cabeça e que tornaram a história do rock n' roll certamente mais divertida e gratificante do que ela já é. Eu confesso que quase fui às lágrimas nessa hora, lembrando-me do dia em que a cena aconteceu. 

Bohemian Rhapsody tem suas falhas (como toda cinebiografia que se preze), mas acerta no quesitos nostalgia e emoção. É um filme extremamente emotivo e joga com seu público durante todos os 134 minutos de projeção. Digo: se houvesse mais meia hora de filme, ainda assim eu não deixaria a peteca cair, não acharia exagerado. A banda tem sim história pra contar. E muita. 

Saio do cinema pela segunda vez em pouco menos de um mês (a primeira foi com Nasce uma estrela, e o espetáculo oferecido pela cantora Lady Gaga) em êxtase e orgulhoso de saber que o gênero musical - que muitos consideram datado, ultrapassado, envelhecido - ainda tem garrafas a vender a seu público. Basta um realizador competente com uma boa história nas mãos e pessimismos podem sim ser varridos para debaixo do tapete. E esse parece ser exatamente o caso aqui. Fãs do grupo: não deixem de ir. Foi exatamente o que eu, fã do grupo há décadas, estava esperando. 

Ah! Esqueci um detalhe importante: foram esses caras que me ensinaram a ser fã, que definiram a minha geração.

Nota: vejo no facebook comentários a respeito de pessoas que foram à sessões do filme e criticaram as cenas gays envolvendo Freddie Mercury. Meu Deus! O conservadorismo está acabando mesmo com o país. E além do mais o Queen sempre foi muito mais do que a opção sexual de seu vocalista. Pena que no Brasil, país que adora escândalos e picuinhas, muitos não entendam isso...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Marionetes sacanas


Não se enganem com os bonecos em cena, caros espectadores: Avenida Q, de Jeff Whitty, não é para menores. Pelo contrário: trata-se de uma das maiores ousadias (ou brincadeiras com o conceito de infância, como preferir rotular) que eu pude assistir nos últimos tempos. Só não foi ainda melhor porque não estava presente no teatro, ao vivo, para apreciar. 

Isso mesmo: assisti o espetáculo graças a, mais uma vez, bem-vinda ajuda do you tube, meu amigo internético de todas as horas, que exibe a versão de julho de 2009, gravada no Teatro Clara Nunes, na íntegra (e cheia de elogios na caixa de comentários, comparando a versão nacional, dirigida pela dupla arrasa-quarteirão Charles Moeller e Cláudio Botelho, com a americana, com direito a frases do tipo "não deixa nada a dever a versão made in USA. Muito boa!!!!").

Avenida Q é, no final das contas, uma grande cartilha moral sobre os desvalidos - ou outsiders - que vivem em qualquer lugar do mundo, lutando com unhas e dentes para sobreviver à uma vida difícil e cheia de reveses e curvas sinuosas. E dentro desse simulacro da dificuldade, vemos os mais diversos expoentes daquilo que o Brasil e o mundo aprendeu a chamar nos últimos séculos de "necessitados". 

Homens e bonecos dividem a atenção do público com metáforas sobre questões da maior pertinência para nosso convívio social: homossexualidade; conservadorismo; relacionamentos amorosos; racismo; a vida noturna na internet; triângulos amorosos; rir da miséria alheia; desemprego e muito mais. E tudo com um toque inteligente e refinado e um humor sarcástico, na ponta da língua (e fazendo a plateia cair na gargalhada a todo momento).  

Dentre as vozes que permeiam esse universo temos Princeton, um jovem formado, mas sem rumo na vida, que acaba de chegar na Avenida Q (único lugar em que ele pode pagar o aluguel, e ainda sim com dificuldades) onde pretende dar uma reviravolta em sua história; Kate Monstra, cujo sonho é construir uma escolinha para seres de sua própria espécie; o casal Brian (Renato Rabelo) e Japaneuza (Cláudia Netto), ele um eterno desempregado, tentando ganhar a vida como comediante, ela uma psicóloga sem clientes, juntos sobrevivendo na ponta do arame;  Trekkie Monstro, uma criatura viciada em internet e pornografia; Gary Coleman (Maurício Xavier), um ex-astro infantil cuja vida só lhe deixou de sobra a missão de trabalhar como zelador na avenida; Nick e Rod, parceiros de quarto na pensão, o primeiro um homossexual enrustido, o segundo um maladrão, super desorganizado que adora incentivar os outros a se libertar, mas não tem coragem para tomar uma atitude com a própria vida; e Lady de Vassa, uma quase Lady Gaga versão Puppet, cantora da noite e viciada em sexo.

Dentro do elenco fica meu destaque para os atores André Dias (que manipula os bonecos Princeton e Rod) e Sabrina Korgut (responsável por operar a Kate Monstra e Lady de Vassa). Aliás, o trabalho de criação com os bonecos feito por Fernando Gomes é magnífico. Fiquei embasbacado com a liberdade de movimento das marionetes. Não imaginava que estávamos tão avançados nesse setor!

Já na parte técnica gostei muito da direção musical de Marcelo Castro (a banda que acompanha o elenco é excelente) e o trabalho de cenografia de Rogério Falcão, em alguns momentos, me fez lembrar da Graphic Novel Avenida Dropsie, de Will Eisner, principalmente nas cenas mais escuras, à meia-luz, criando um clima quase noir. Pretendo dar uma olhada na internet à procura de mais trabalhos dele!

Ao cerrar da cortina, a plateia aplaude com entusiasmo e o elenco merece. Mesmo que muitos achem o texto em vários momentos abusado em excesso, cheio de palavreados chulos e posturas acusatórias a certos comportamentos típicos da sociedade hipócrita em que vivemos, é facilmente perceptível que o humor ácido, direto é intencional e faz parte da proposta: brincar com a ideia de que teatro envolvendo marionetes é apenas para crianças. Nada disso. É possível transpor a temática para o universo adulto sem perder o sorriso. E a prova está aqui. São mais de duas horas de sacanagem pura, sem ofender ninguém. 

Se algum dia reestrear na sua cidade, procure. Vale cada segundo. 

Para quem quiser assistir o espetáculo na íntegra, segue abaixo o link: 
https://www.youtube.com/watch?v=qhcZqg_wkJY

sábado, 3 de novembro de 2018

O país que gostamos de inventar de tempos em tempos


Não é de hoje que a sociedade brasileira se comporta como se o país não passasse de uma sucursal de um filme de super-heróis da Marvel ou da DC Comics. Tornamos nossa pátria - se é que ainda dá para chamar o país disso! - uma versão aterradora e esnobe de maniqueísmo, acreditando piamente que certas pessoas devam ser rotuladas de o bem encarnado, dono de moral ilibada e acima de qualquer suspeita, e outras de mal eterno, sacerdote do que existe de pior em termos de ética. Pobres deles, os rotuladores! Não fazem a menor ideia do que estão fazendo com a nação. 

Prova disso é a chegada de O doutrinador, filme de Gustavo Bonafé e Fábio Mendonça, que chegou ao circuito exibidor nesta última quinta-feira e utiliza-se da estrutura mista de quadrinhos + cinema que vem fazendo a cabeça principalmente do público jovem nos últimos anos. No entanto, aqui a premissa não visa unicamente a eles. Os adultos em algum momento também irão se interessar por aspectos da trama. 

O doutrinador conta a história de Miguel (Kiko Pissolato, uma grata surpresa no cenário audiovisual brasileiro), um agente da D.A.E - uma espécie de forças especiais ligadas à polícia civil - que vê sua vida mudar completamente quando sua filha pequena morre, vítima de uma bala perdida, quando estavam indo assistir a um jogo da seleção brasileira. O país já vivia dias de corrupção desenfreada com acusações disparadas ao governador da cidade, Sandro Correa (Eduardo Moscovis), e a população rugia nas ruas. Contudo, mesmo com todo o cenário negro dando as cartas, Miguel sempre acreditou no sistema e na justiça. Até aquele momento. 

Nasce então o justiceiro nomeado pela mídia de doutrinador, que passa a caçar os cabeças por trás da falência do Estado. Nesse momento a trama ganha contornos ainda mais quadrinísticos (e nesse sentido, o autor Luciano Cunha - criador da hq que originou o longa - deve ter ficado um tanto satisfeito), com exageros os mais diversos, frases de efeito roubando a cena em meio ao roteiro e muita adrenalina e fisicalidade nas cenas de ação, que não são poucas. Nosso herói conta com a ajuda da hacker Nina (Tainá Medina, que lembra em alguns momentos o estado de espírito da personagem Jessica Jones, vivida na série da Netflix pela atriz Krysten Ritter) para esmiuçar o sistema de segurança que preserva a integridade desses "homens de respeito" que governam o país. 

Há muito o que gostar (e também o que não gostar) no filme. Para aqueles que seguem a mentalidade atual do país polarizado em que vivemos nos últimos anos de atacar o outro lado da discussão política com ofensas e deboches, talvez este não seja o seu filme. Há várias inferências à personagens do atual cenário político nacional e certamente você se verá tentado a atacar o filme ou como fascista ou como defensor de uma moral tendenciosa e comunista, algo aliás que aconteceu recentemente quando do lançamento da série O mecanismo, de José Padilha. Fica a dica. Por outro lado, foi uma grata surpresa ver o cinema nacional enveredando por uma seara que eu (ainda) acredito não temos uma grande expertise no assunto ou mesmo tecnologia necessária para convencer. Enfim... É um filme bem intencionado dentro de nossa cinematografia cheia de altos e baixos (principalmente se colocarmos na balança os últimos, digamos, cinco anos). 

Não poderia, porém, terminar este artigo sem deixar de apontar o grande legado desta produção (que coincide com o desabafo final feito por um dos personagens no próprio longa): o de que continuamos acreditando em salvadores da pátria, figuras sobrenaturais e messias capazes de nos salvar da destruição do país. "É preciso mudar", é o que diz o filme em seus últimos segundos. E mudança é uma palavra que sempre teve um sentido um tanto quanto equivocado em nosso país. Também não é pra menos. O que esperar de um país que vive de jeitinhos, esqueminhas, tratos escusos, e que se orgulha de sua própria ignorância e incapacidade de dar a volta por cima? E não bastasse tudo isso se apega a qualquer modismo que pareça legítimo, seguidor de regras e morais tortas, bem vestido e portando diploma de alguma profissão ou status de renome?

O doutrinador parece meia-boca à primeira vista? Sim. Tem suas falhas e soluções abruptas para justificar problemas sérios de comportamento social? É verdade. Entretanto, ele também traz muito sobre o que pensar neste país controverso. Digo mais: o filme de Bonafé e Mendonça é o país que gostamos de inventar de tempos em tempos, cheio de manias e homens poderosos, capazes de virar a nação de cabeça pra baixo, só para não termos de encarar o mundo real, com seus defeitos e distorções. 

Em outras palavras: veja, mas de olhos abertos, questionando cada momento. Pois as entrelinhas andam merecendo melhor atenção de nossa parte hoje em dia do que o todo excessivamente visível e heróico das páginas de jornal, das redes sociais e dos formadores de opinião contraditórios.  

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Amor em xeque


É difícil falar do amor. Quem tentou, saiu cheio de cicatrizes (e em alguns casos, renovado). Porém, é uma catarse necessária, acho até imprescindível, principalmente em tempos caóticos e confusos como estes atuais, cheios de fake news e sociedade polarizada guerreando por uma classe que nunca se importou com o povo. 

Levando isso em consideração me deparo com um exemplar de Eu sei que vou te amar, livro de Arnaldo Jabor criado a partir do longametragem homônimo de 1986 que deu a Palma de Cannes à atriz Fernanda Torres, abandonado numa barraca dessas de livros usados em plena feira de subúrbio. Já havia lido o romance uns oito anos atrás e adorado (tanto que, quando lançada sua versão para o teatro, fui correndo assistir). Retomá-lo após tanto tempo e ciente do que o tema proposto nele fez na minha própria vida, decidi encarar a empreitada novamente. 

Eu sei que vou te amar - que tem tintas de Vinicius de Moraes não só no título - traz um casal que viveu junto por seis anos e após uma breve separação se reencontra para discutir a relação que passou e tentar entender o que fez de errado no processo. Na própria contra-capa do livro o autor define sua obra como "o livro definitivo a traduzir as D.Rs". E está absolutamente certo. 

O romance de Jabor é um tapa na cara com luvas de pelica na vida de casais que passaram a vida errando em seus relacionamentos e não conseguem admitir a culpa (isso quando não empurram toda a parte catastrófica para a conta da outra metade da relação). 

A narrativa é cheia de silêncios, reticências, discursos entrecortados. Há momentos em que se percebe nitidamente a tentativa (seja dele ou dela) de construir sua defesa no calor do momento, tentando deixar no passado escolhas infelizes que fizeram, mas que são indispensáveis para entender o que os levou ao término.

Há um clima entre o rock n' roll e a bossa nova conflitando no cenário que, na versão cinematográfica, acaba por remeter ao Steven Soderbergh de Sexo, mentiras e videotape (tenho até vontade de rever o filme para saber se ainda tenho essa mesma impressão de quando o assisti pela primeira vez). E essa antítese de sentimentos, gostos, caminhos, é muito bem-vinda na hora de entendermos os sentimentos dessa geração (que não é a minha), ofuscada pelo período militar e suas castrações ideológicas. 

Talvez muitos que conheceram a obra quando acabara de ser lançada a considerem hoje datada e defendam a ideia de que nada disso acontecesse com a atual geração, simplesmente porque ela "não ama mais com esse mesmo vigor". Em certo sentido, concordo. Tornamo-nos evasivos, efêmeros e mentirosos de carteirinha como sociedade, mas ainda vejo a possibilidade de podermos discutir a vida a dois (pelo menos, entre "alguns" seres humanos).

Em outras palavras: a literatura pretendida por Arnaldo Jabor - ele próprio, um provocador por natureza - é debochada, irônica, e toca numa questão muito contemporânea. Perdemos a capacidade de ouvir. Queremos ordenar e fazer dos outros empregados de nossa vontade. E não é à toa nem começou do dia para a noite esta cultura tendenciosa. 

É uma pena que nossos literatos não tenham migrado mais para esse debate nos últimos anos. Andamos carentes de uma boa discussão. Não essa guerra de interesses dos dias de hoje, esse mundo videogame onde seus vizinhos, parentes, amigos são adversários a serem aniquilados e nada mais. 

Por mais amores de carne-e-osso como este aqui e menos vidas de plástico, botoxizadas, construídas à bisturí e esteróides... 

domingo, 28 de outubro de 2018

Será isso um poema ou um rap para uma nação destruída?


Que país é esse?

não importa quantas vezes cantem 
não importa quantos compositores repitam o refrão
a pergunta persiste:

Que país é esse?

É o país da Júlia que está no Canadá e não voltou, 
da garotada que jogou Baleia Azul e se arrependeu,
dos convidados da festa de aniversário do cachorro da Vera Loyola,
daqueles que dizem que são crias de lugares que nunca deram valor,
dos boçais que furaram o patinho da FIESP naquela "manifestação", 
dos que idolatram a barbárie como solução para a barbárie, 
do pobre que elegeu, cheio de orgulho, o milionário apresentador de tv,
do alienado paz e amor com arma na cintura em nome da família, 
da menina bem--nascida que matou os pais por causa da grana,
do povo de Deus? 

Meu Deus!
Meu Deus!
Meu Deus!!!!

MEU DEUS!!!!!!!!!

grita
grita
grita mais alto
grita, pois quem sabe um dia te ouçam
quem sabe os surdos, os cegos, os alienados te ouçam
quem sabe eu, um dia, te ouça
(e eu disse quem sabe)

o país virou aquele livro do Saramago
sabe qual?
aquele que todo mundo fica cego
lembrou?
aquele que o Fernando Meirelles, o do Cidade de Deus, filmou
lembra não? 
aquele...

procura

procura no Google que você acha

no Google você acha tudo 
da Rita Cadillac nua à Declaração universal dos direitos humanos
tudo, tudo, tudo
é só procurar com calma que você acha

o Google é a bíblia do caos do século XXI

corta para:

morreu Moa do Catendê
morreu Marielle Franco
morreu Amarildo 
morreu Eduardo Campos
morreram as moças que colocaram silicone industrial no corpo
morreu o travesti na parada gay
morreu o deputado que promete empregos e salários 
(mas nunca cumpre)
morreram Marias, Joões, Helenas, Pedros, Cecílias, Brunos, 
todo dia morre alguém novo, alguém diferente
alguém que não se enquadra no parâmetro 

é uma violência diferente todo dia
empurrada goela abaixo da gente

no final 
nós não passamos é de estatísticas
nós somos os números de nossas identidades e CPFs

não passamos de gente

que gente?
gente servil?
gente obediente? 
gente que não sabe dizer não?
pois é...
gente

todo dia 

todo dia a mesma história
a mesma - negra - história

(opa! não pode dizer negra; afro, então!)

maldito politicamente correto tomando conta das ruas, dos bares, das escolas, dos cinemas, dos teatros, das filas dos bancos, das conversas entre vizinhos, da porcaria toda

até pra dizer a verdade neste país está difícil 
está difícil pertencer a este país!!!

tem que conhecer as regras do jogo atroz 
cheio de cotoveladas, socos, pontapés
e o jogo tem vários nomes

tem gente que chama de mimimi 
tem gente que chama de empoderamento
tem gente que chama de luta de classes
tem gente que chama de "restaurar a ordem" (com aspas e tudo)
tem fascista posando de galã em academia fitness
tem falso moralista pregando discurso pseudoreligioso
que mais parece livro de auto-ajuda xerocado de faculdade particular
daquelas que o diploma não é nem credenciado pelo MEC

falando nisso...

por onde andam as escolas?
a última vez que tive notícias delas estavam ou ocupadas ou em greve
o que no final das contas dá na mesma

dá?
na mesma?

sei lá... no meu tempo não era assim
pelo menos, parecia que não era
ou era e eu é que não percebia?

por que o ensino no Brasil nunca é, de fato, reflexivo?

antigamente ensinavam Moral e cívica, OSPB, mas não ensinavam filosofia... e eu perguntava pro professor qual era a diferença, mas ele não sabia me responder

antigamente o lugar onde o professor ficava tinha um degrau acima dos alunos e eu achava estranho

depois, é bem verdade, tiram o degrau e eu continuei não entendendo porque antes tinha degrau

antigamente também tinham maus professores e alunos relapsos, mas não sei porquê as pessoas que estudaram comigo não lembram mais deles

então repito: 
por que o ensino no Brasil nunca é, de fato, reflexivo?

porque o ensino no Brasil é sinônimo de aprisionamento, 
de ficar dentro de sala aprendendo alguma coisa meia-boca 
com professores fajutos, mal formados, 
porque é melhor do que ficar na rua aprendendo a virar bandido? 

não, não estou defendendo vagabundo, não!
você entendeu tudo errado

eu quero que a escola volte a ser escola

tem candidato a presidente que não entende nada de política, de economia, de segurança pública, mas defende o ensino de antigamente

tem empresário no Brasil que é bandido 
e ninguém fala nada
tem engravatado no Brasil que é bandido 
e ninguém fala nada 
chamam esses de homens bem-sucedidos

tem a crise de valores 
(eu disse de valores, não financeira)

tem gente que ganha um salário mínimo por mês
gasta no mesmo mês o quádruplo do que ganhou
se endivida no cartão de crédito e no cheque especial
fica encalacrado até o ano seguinte
e ainda bota a culpa no Estado

"o país deve, por que eu não posso também?"

tem gente que deixa os filhos passando fome em casa
contas a pagar, mulher ralando na cozinha
mas não falta dinheiro para ver o jogo do Flamengo
todo fim de semana no estádio

tem gente que é tão pobre, mas tão pobre, 
pobre, pobre, pobre de marré derci,
que acha que é classe média, 
posa de classe média 
e os vizinhos e amigos ainda acreditam 
que a pessoa é de fato classe média

é sério isso?
é... é muito sério. 

aqui na minha rua tem uns 7 ou 8...

falta definir seriedade por aqui

aliás: temos que definir muita coisa por aqui
ética, moral, honestidade, certo, errado, gênero, fé
joga o Aurélio na lata do lixo e começa do zero 
novamente
(não é a primeira vez que alguém deve ter dito isso... tenho certeza)

querem mudar a Constituição 
de novo
mas não o vocabulário
pra quê?

o importante, na hora H, é (lista básica):
futebol 
MMA
novela das 9
mulher erotizada (ex: Globeleza pra cima)
menininhas precoces vestidas de miniputas em bailes funk
(lembram das roupinhas da Bicho Comeu, loja da Xuxa?)
cantar o hino nacional em jogo da seleção 
(pra dizer que é patriota)
seguir alguma religião 
(se puderem todos seguirem a mesma, melhor ainda)
ter carro do ano
(e mudar de seis em seis meses pra não dar bandeira de pobre)
e burlar burlar burlar, 
muito, 
praticamente o tempo todo
da blitz da lei seca ao Imposto de Renda

Ah! e quando tiver tempo
#Elenão
#Elesim
#Osoutrosnãotemamenorchance
pois não pode faltar uma guerrinha particular nas horas vagas

o resto é conversa pra boi dormir

boi boi boi boi da cara preta 
o boi era friboi e foi direto pra sarjeta
(malandro do Tony Ramos que meteu o pé antes)

na lapa um show em prol da democracia vara a noite
tem sambista, pagodeiro, sertanejo, cantor consagrado da MPB, rapper
mas democracia não estava fora de moda? 
não entendi

"está", grita a tia-avó de um amigo meu, uma senhora de 88 anos
que me disse já ter visto de tudo nessa vida, 
mas não sabe contar a história de absolutamente nada
(obs: ela não tem Alzheimer)

"vai pra Venezuela", ela gritou de novo
(antes era Cuba, não sei porque mudou, o povo gosta de modinha)

essa mesma senhora reclamou da última viagem que fez pra Europa 
viajou lado a lado com o filho do porteiro do prédio dela
ficou indignada
quase chamou a aeromoça pra pedir que o meliante se retirasse

o tal garoto é bolsista 
e estuda na PUC 
faz engenharia civil
graças ao financiamento estudantil
e foi agredido na saída do campus 
por quatro bad boys com camisas estampando suásticas
se disseram "defensores da lei e da ordem" os valentões
gozado!
os mesmos valentões nunca estão na sala de aula 
mas se formarão advogados, médicos, engenheiros, arquitetos
repito: gozado!

Tem gente que acredita que a Idade Média não voltou
que é tudo ilusão
tudo montagem
o mundo virou uma ficção na cabeça de alguns

típico! 

já reparou que tudo de mais estranho nesse país é típico?

novela com personagem gay descontextualizado dando beijo no último capítulo

carnaval na Marquês de Sapucaí com mulheres nuas nos carros alegóricos, corpos cheios de purpurina

caravana para assistir culto em templo evangélico aos domingos

marombeiros viciados em complementos vitamínicos e esteróides correndo pelos quarteirões das ruas onde moram levando nas costas bolas gigantescas

as pessoas não podem ser diferentes
não podem ter direito à escolha 
a liberdade dos outros é libertinagem, já a nossa...
ir e vir? nem pensar!
e detalhe: o passado era uma mentira

os filmes dos anos oitenta agora são misóginos 
Monteiro Lobato e Euclides da Cunha são racistas
O caso dos dez negrinhos, da Agatha Christie, mudou de nome
o golpe de 64 agora é movimento...

...e o mundo 
tá de cabeça pra baixo

quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
o tempo que você perdeu tentando responder a pergunta
o ovo já foi parar no x-tudo de alguém e a galinha já foi assada
você demorou demais
não pode demorar demais

que país é esse?

já foi Tubiacanga, Mangue seco, Passárgada e outros oásis fictícios
tem quem chame de país do futuro
(apesar de nunca ter tido presente)
tem quem chame de zona do meretrício
O cortiço, de Aluísio Azevedo, na comparação, vira hotel 5 estrelas

o país tem jeito? 

segundo certo famoso colunista do mais importante jornal do país
não 
segundo este quase-poeta, que escreve estas mal traçadas linhas,
"prefiro não comentar"
(a frase é emprestada de uma personagem de sitcom da Rede Globo)

o que responder nessa situação, diante de um país
que não lê 
que não sabe cantar o próprio hino 
que não sabe (de fato) falar a própria língua
que só escreve pelo computador
que não desgruda do celular
que vai a escola apenas para tirar o diploma
que vive de bolsa isso, bolsa aquilo 
e que adora levar vantagem sobre os outros?

e eis que chega outubro e com ele as eleições e as opções...
hummm...
votar nulo de novo? 
caso sim, será minha quarta eleição seguida nessa categoria
tô ficando especialista no assunto

tá difícil, my brother! me ajuda aí!

e o representante do TRE chama esse período do ano 
de "festa da democracia"
então porque o voto não é opcional?
nunca entendi isso, nunca me explicaram

só pode ser deboche!

no passado diziam que índio queria apito, senão %¨&$#@ ia comer
hoje estão querendo desaparecer com o índio de vez
o %¨&$#@ virou protagonista da música

estão querendo desaparecer com tudo de vez

é a purificação do mundo
é a teologia da libertação 
é o novo país
das negociatas escusas
das delações premiadas 
do dinheiro na mala, na cueca, no apartamento
da devassidão moral travestida de oportunismo

"ou você tá dentro, ou tá fora"
quem não gostou mete o pé agora
amanhã pode ser tarde
pode ser ou tá difícil?

entre a cruz e a espada 
continuo da minha janela observando tudo 
passo a passo
opinando na internet de vez em quando 
escrevendo minhas memórias 
(vai que alguém algum dia quer ler)
testemunhando o avanço do retrógrado, do ultrapassado
homem virando mulher, mulher virando homem
tentando entender essa eterna mania do ser humano de andar pra trás
e chamar isso de progresso

ORDEM E PROGRESSO

palavras grifadas em nossa bandeira

pensa rápido: 
quais as cores da bandeira nacional?
e o que cada uma delas significa? 
tá demorando...
te ensinaram isso na escola
e aí?
coméquié?
você entendeu que é pra pensar rápido?

brasileiro e rápido na mesma frase nem sempre combina

modelo de brasileiro típico:
Rubens Barrichello

toca o hino nacional na tv
que raridade!

ouviram do Ipiranga às margens plácidas
de um povo heróico... heróico? ah tá

Me espera aí que eu já volto
(ou não?)

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O brasileiro do momento em Hollywood


Conhecemos nosso cinema por seus grandes atores e diretores. Pergunte a qualquer cinéfilo que acompanha nossas produções com regularidade quem é Selton Mello, Wagner Moura, Alice Braga, Lázaro Ramos, Fabíula Nascimento, Caio Blatt, Ingrid Guimarães, Cacá Diegues, Laís Bodansky, Fernando Meirelles, Lúcia Murat, José Padilha, Walter Salles e companhia limitada e provavelmente eles saberão quem é cada um deles e delas. Agora pergunte a respeito de nossos produtores, os homens e mulheres que muitas vezes realizam verdadeiros milagres para tirar um projeto do papel e... Em 80% dos casos, no mínimo, provavelmente não citarão um nome sequer. E quando citarem é Luiz Carlos Barreto, o Barretão, com 90 anos de idade. Triste, eu sei... E isso precisa mudar. 

Dez dias atrás assistia O animal cordial, filme de Gabriela Amaral, e me deparei mais uma vez com o nome de Rodrigo Teixeira nos créditos como produtor (algo que já virou rotina nos últimos tempos, aqui e no exterior. E mais uma vez disparou o alarme: "ainda não escrevi um artigo sobre esse moço. Preciso corrigir isso urgentemente". Eis que um estalo soa em minha mente: "por que não agora mesmo?". Pois bem...

Quando você o vê pela primeira vez em imagens de portais de cinema e sites de notícias na internet, usando calças jeans simples, barba por fazer, óculos na cara, cabelo desgrenhado, à primeira vista pensa: "deve ser mais um daqueles nerds que se formaram no M.I.T (Massachusetts Institute of Tecnology)". Nada disso. Sequer chegou a concluir a Faculdade de administração de empresas e abriu mão de um grande emprego no setor financeiro para embarcar nessa jornada, a da sétima arte. 

Seu começo se dá quando sua vida esbarra com a do produtor e diretor Paulo Machline (responsável pelos recentes Trinta, cinebiografia do carnavalesco Joãosinho Trinta, e O filho eterno, adaptado do romance best-seller de Cristóvão Tezza - que já havia virado uma peça teatral bem-sucedida - e foi indicado ao Oscar de curta-metragem por Uma história de futebol). Dessa parceria nasce O casamento de Romeu e Julieta. E daí por diante Rodrigo não parou mais...

Porém, o mais importante sobre Rodrigo Teixeira é entender que vocês, cinéfilos, não estão diante de um homem obcecado com a fama ou com a indústria das celebridades. Tanto que ele nunca quis se mudar de vez para Hollywood. Continua com sua vidinha em São Paulo, só saindo de lá quando tem algo a fazer ou dizer no exterior. É aquilo que chamávamos antigamente de cdf, preferindo ficar em casa, lendo seus livros, procurando bons projetos. 

E, nesse quesito, hajam bons projetos! Quando tiverem um tempinho sobrando deem uma passada em seu perfil no IMDb e analisem sua filmografia como produtor. Seu grande mérito: saber fazer bons filmes com pouco dinheiro. "Profissionalismo e rentabilidade", costumam falar os amigos sobre o segredo do sucesso de Rodrigo. 

Entre seus projetos que mais repercutiram vale destacar as duas parcerias com a atriz (agora badalada após seu primeiro longa como diretora, indicado ao Oscar) Greta Gerwig, Frances Ha e Mistress America; o longa em que dividiu os créditos com ninguém mais, ninguém menos do que Martin Scorsese, Ciambra; o longa de terror para lá de bem sucedido A Bruxa; Me chame pelo seu nome (vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado esse ano); o meio nacional meio latino Severina e o independente Patti Cakes. Isso fora as futuras parcerias, como por exemplo Ad Astra (projeto lado a lado com o mega astro Brad Pitt), a adaptação do livro de Fernando Morais, Os últimos soldados da guerra fria (a ser dirigido pelo diretor francês Olivier Assayas) e o próximo longa de Brian de Palma, Sweet Vengeance (com Wagner Moura no elenco). 

E ainda tem espectador babaca, que acha que sétima arte se resume a Marvel e DC, que ainda chama o cara de cavalo paraguaio. Enfim... O brasileiro não valoriza seus verdadeiros talentos. 

Quer dizer: excetuando o autor (e quase crítico) deste modesto artigo. 

Que a ascensão de Rodrigo Teixeira em terras estrangeiras abra as portas mais profissionais do ramo. Tem muita gente boa nesse segmento por aqui. Que o diga Vânia Catani, parceira de Selton Mello nos longas O palhaço e O filme da minha vida, bem como Marcos Prado (produtor de Tropa de Elite e diretor de Paraísos Artificiais, um longa que merecia melhor atenção do público nacional quando aqui foi lançado).

Resumindo em poucas palavras: é o brasileiro - excetuando os atores Rodrigo Santoro, Wagner Moura e Alice Braga - mais comentado em hollywood atualmente. Então prestemos atenção ao que ele tem a dizer.