Embora não tenha assistido a nenhum jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo pelo SBT, já imagino o eterno Galvão Bueno proferindo a sua clássica frase "Acabou o sonho!" depois da desclassificação do Brasil para a seleção da Noruega ontem, num jogo onde faltou tudo: garra, entrega, tesão, habilidade, coragem, culhões. Resultado: nossa seleção fez sua pior campanha na competição desde 1990, na Itália, quando foi vencida pela Argentina também nas Oitavas-de-final.
Contudo, o mais triste dessa desclassificação é aquele sentimento de que "já vimos esse filme outras vezes e nenhum sinal de mudança parece à caminho". Já começa, inclusive, a surgir na internet e nas redes sociais uma definição para este grupo que vem representando o Brasil na Copa nos últimos anos: geração tik tok (muito mais interessada em status, engajamentos, publis e fama efêmera, deixando o futebol em segundo plano).
Infelizmente, definição melhor não há para esses "jogadores"(as aspas são intencionais). O Brasil foi pentacampeão mundial, sim, no passado... Continuar escondendo-se atrás desse rótulo é de uma temeridade - e de um arrogância - sem tamanho. Chega a ser até vil, dependendo do ponto de vista que se olhe. A própria expressão "o país do futebol" tão alardeada nessa época do ano precisa ser revista urgentemente, principalmente pela geração que nunca viu nossa seleção ser campeã de nada.
A Copa encerra para o Brasil e dá lugar aos especuladores, especialistas, aspones, oportunistas de plantão e outras figuras que são notórias em nosso país na arte de fazer o nome em cima da tragédia alheia, cada um com uma solução na ponta da língua. "Precisamos mudar tudo", "Temos que voltar a jogar como brasileiros", "Não dá mais para copiar o modelo europeu de futebol". O treinador, que neste último ciclo foi estrangeiro (e, em tese, permanecerá até 2030) entrará na linha de tiro dos revoltados (principalmente os técnicos brazucas que estavam à espera do fracasso), bem como a geração fracassada que nada fez nas quatro linhas de 2014 pra cá.
Pior: no próximo ciclo completaremos 28 anos sem sequer chegar à uma final, quiçá uma conquista. Some-se a isso o vexame secular do 7X1 contra a Alemanha aqui no país e ser eliminado por seleções de segunda prateleira da Europa (Bélgica, Croácia, agora Noruega...) e um fascínio notório pelo glamour e os escândalos envolvendo corrupção entre os dirigentes da CBF e pronto: o caos está definitivamente criado e mantido.
O que fazer para mudar esse cenário dantesco? Se eles, que são os responsáveis pela gestão do dito esporte mais querido do país não sabem, que dirá eu ,mero blogueiro e colunista que nem considero o futebol minha paixão nacional.
De concreto mesmo: 1) precisamos zerar o jogo, dar um fim de ciclo a muitos que aí estão e nada fazem além de enriquecer mais e mais e exibir mulheres, carros de luxo e patrimônios vultosos; 2) Haaland, o homem que matou o jogo no 2x1 que nos mandou para casa, entra para a gloriosa galeria de algozes que marcaram a história da seleção brasileira em Copas do Mundo (junto com Ghiggia, Caniggia, Paolo Rossi, Zidane, etc); 3) O país (leia-se: a sociedade) precisa enxergar o esporte com outros olhos, e entender que a competição tomou outro caminho com o passar dos anos e não somos mais a figura mais importante dentro desse universo.
É preciso - para ontem - que passemos a limpo a estrutura vigente, que viremos a página das subcelebridades que se dizem atletas com sua cultura da mediocridade e do ostentacionismo, que paremos de fabricar falsos heróis, salvadores da pátria que nem sequer conhecem o próprio país e, principalmente, "jogadores imaginários", que no final das contas só funcionam como memes e deboches rotineiros em discussões imbeciloides envolvendo gente que nem curte o esporte e a competição tanto assim... Só quer mesmo é engajar em cima do assunto.
Parece muita coisa - e é. E que comecem o quanto antes, pois já estamos mais do que atrasados no cenário futebolístico. O problema é: será feito, realmente? Mais uma vez (e parece até sina dizer isso): aguardemos. De novo. Estamos sempre aguardando, não é mesmo? É o que nos restou como legado dessa desgraça esportiva. Até 2030.






