Vi a notícia na internet sobre os 50 anos da morte da escritora Agatha Christie (a eterna Rainha do crime) e passou literalmente um filme na minha cabeça.
Embora nos últimos anos eu venha lendo mais obras de não-ficção, eu fui um leitor forjado no gênero romance policial, com Agatha, Arthur Conan Doyle, os autores da Black Mask, George Simenon e cia. Adorava a possibilidade de decifrar crimes e mistérios e, muito por conta disso, foi delicioso descobrir Agatha meio que por acidente num saldão de livraria. Ela conseguia prender a minha atenção com o simples.
Fosse quem fosse o investigador da trama - Hercule Poirot ou Miss Marple - eu devorava seus livros sem medo. Isso quando não os relia por não acreditar totalmente no final proposto (achava que havia lido errado alguma coisa, mas não! era exatamente aquilo que ela queria dizer). Assassinato no Expresso do Oriente, provavelmente seu romance mais famoso, virou cult, fetiche nas mãos de leitores alucinados.
Houve um tempo em que as bancas de jornal aqui no Brasil decidiram vender toda a coleção de Agatha e eu comprei diversos deles: A mansão hollow, Morte no Nilo, Os crimes do ABC, O segredo dos Chimneys, O caso dos 10 negrinhos (que tempos depois, por conta de uma polêmica envolvendo racismo, teve seu título alterado para E não sobrou nenhum), Um corpo na biblioteca, Assassinato no campo de golfe, o homem do terno marrom, etc etc e hajam etcs, a lista de obras é imensa.
No final das contas, posso dizer com folga que ela foi a inicializadora de um processo na minha vida: o de me tornar leitor numa família que quase não lia nada. E sou eternamente grato a ela por isso.
O maior mistério envolvendo a autora, entretanto, nunca foi decifrado: o desaparecimento dela por 11 dias ocorrido em dezembro de 1926, após uma briga entre ela e o marido. E mais do que isso: um mistério que ela nunca transformou em obra literária, para a tristeza dos leitores.
Agatha Christie morreu no ano em que eu nasci e vejo nisso mais do que mera ironia, e sim um convite para conhecer sua obra. É verdade que há tempos não a leio por ter feito outras escolhas literárias, mas tenho pensado muito em retomar contato com sua obra (já passou da hora, na verdade, e ela tem muita coisa que figura na minha lista de inéditos). Quem sabe com essa notícia que caiu de para-quedas diante de mim eu não tome coragem e procure por material dela, sempre acessível nas grandes livrarias ou sebos.
E quem nunca leu? Olha, vocês não sabem o que estão perdendo. Essa senhora deveria ser tão obrigatória quanto Machado Assis para qualquer leitor que se preze. Se acham que eu exagero, procurem seus textos...






