O basquete brasileiro, o esporte nacional como um todo, o Brasil, perderam hoje uma lenda. Uma pessoa que, na minha cabeça, é tão gigantesco quanto Pelé, Ayrton Senna, Zico, a geração olímpica do vôlei, nossos ginastas, judocas, nadadores, velocistas e tudo de mais genial que nós já tivemos na história do desporto. Falo de Oscar Schmidt, que nos deixou aos míseros 68 anos. O mão-santa, como a mídia gostava de se referir a ele, vai deixar saudade - e muita!
A história de Oscar é como a de muitos garotos que só querem uma oportunidade para mostrar o seu valor e, com isso, poder mudar de vida. Encontrou sua chance na adolescência com Zezão, no colégio salesiano e, consequentemente, com Laurindo Miura, no Clube Unidade da Vizinhança. Mas, como todo gênio que se preze, isso ainda era pouco, quase nada, para alguém com um talento como o dele. Palmeiras, Sírio, América-RJ, Juvecaserta (Itália), Pavia (Itália), Valladolid (Espanha), Corinthians, Bandeirantes, Mackenzie e Flamengo também conheceriam seu talento e - claro - suas cestas milagrosas.
Sempre que eu lembrar dele, me lembrarei de 1987. Eu, com apenas 11 anos de idade, em frente a tv, vendo a seleção brasileira desbancar a toda poderosa seleção norte-americana no Pan-americano de Indianápolis (detalhe: na terra dos caras). 120 a 115 para a nossa seleção que, a partir dali, revolucionou o nosso basquete e o jeito de jogar aquele esporte daí em diante. Não à toa os EUA, anos depois, passaram a chamar os profissionais para as competições. Ou seja: o jogo não seria mais o mesmo.
Enquanto muitos atletas sonham com a NBA, Oscar decidiu seguir seu coração e dizer não. Ao saber que indo para a liga profissional americana não poderia representar mais a sua seleção, preferiu recusar (algo hoje, visto por muitos como inimaginável). Ele decidiu acreditar na sua própria história, no legado que poderia produzir.
Era mágico vê-lo em quadra. Mesmo que o jogo em questão fosse de madrugada, eu parava tudo o que estava fazendo para assisti-lo. Ele personificava o nosso basquete. Bons tempos em que dava orgulho acordar cedo para ver um gigante performando.
Quando ele foi reconhecido pelo Hall da fama do basquete fui correndo assistir seu pronunciamento. Ele relembrou do começo da carreira, das dificuldades, os treinamentos exóticos, das derrotas não esquecidas e, principalmente, do legado que o basquete lhe entregou. Parei de assistir a modalidade nos últimos anos, pois sinto falta dessa entrega, dessa dedicação total à carreira (crítica que eu também faço a outros esportes, como a seleção brasileira de futebol, por exemplo). Se eu não puder acompanhar e torcer desse jeito, prefiro não ver. Oscar me ensinou isso.
E é com enorme tristeza que hoje preciso dizer adeus a um capítulo extraordinário da nossa história. Oscar, nunca te vi, nunca cruzei com você na rua, mas sempre te admirei e acompanhei sua jornada, e isso ficará gravado em mim para o resto da vida. Onde quer que você esteja, meu irmão, fica em paz. Você era foda. E nada vai mudar isso. E que o basquete brasileiro reencontre seu caminho de glória para poder homenageá-lo como você merece.






