Parece piada (de humor negro), mas não é. Hoje vi no x - antigo twitter - um post sobre o aniversário do ator, cantor e dançarino Gene Kelly que nos deixou há... Três décadas! Engoli em seco. Como assim Gene Kelly já nos deixou há 30 anos? Os deuses do cinema, certamente, estão rindo sarcasticamente neste exato momento. E imediatamente eu sinto vontade de reassistir mais uma vez um clássico desse eterno mestre da dança.
Eugene Curran Kelly era descendente de irlandeses e oriundo de Pittsburgh, Pensilvânia. Veio para hollywood em 1941 quando a Metro-Goldwyn-Mayer era O estúdio e ditava tendências na arte cinematográfica. Ele era competitivo e exigente ao extremo com o seu trabalho (como deveria ser!) e, ainda assim, exibia um otimismo e uma energia típica dos grandes do seu meio.
Ao lado de outro mestre, Fred Astaire, dividiu as atenções sobre quem seria o melhor no quesito dança e teve até crítico de cinema que perdeu tempo debatendo sobre o tema. Na boa... Que pergunta indigesta e sem sentido! Tanto quanto quem foi melhor no futebol: Pelé ou Maradona? Só imbecis perdem tempo com isso.
Entre seus inúmeros sucessos, gosto sempre de citar Marujos do amor (1945), do trio George Sidney, William Hanna e Joseph Barbera (sim, aquela dupla das animações); O pirata (1948), de Vincente Minnelli; Um dia em Nova York (1949), que dirigiu com Stanley Donen; Sinfonia de Paris (1951), de Vincente Minnelli (vencedor de 6 oscars); Cantando na chuva (1952), nova parceria com Stanley Donen; e Xanadu (1980), de Robert Greenwald, que curiosamente é o primeiro dele que assisti, ainda adolescente, ao lado da atriz e cantora Olivia Newton-John (que era uma crush minha dos tempos de VHS).
E mais do que a cena que o eternizou, dançando na chuva numa rua vazia, era um deleite aos olhos vê-lo exercitar seu ofício. E tenho um fetiche pessoal quando se trata de Kelly: sua parceira com o também inacreditável Donald O'Connor em Cantando na chuva é a prova viva do brilhantismo que eram os musicais nessa época. Tínhamos, às vezes, a sensação de que eles seriam capazes de voar ou dançar até de cabeça para baixo. Simplesmente sublime!
Sucessivos derrames cerebrais o tiraram de nós em fevereiro de 1996. Nunca mais vê-lo andando de patins no clube Xanadu ou dividindo seu talento com Debbie Reynolds ou Judy Garland. A vida no showbiz é realmente injusta! Em 1952 ele ganhou um Oscar honorário. Em 1996, ano de sua morte, a Academia lhe prestou uma singela homenagem com o tap dancer Savion Glover reeditando sua cena famosa na chuva. Foi, aliás, a partir desse dia que eu passei a procurar com mais afinco por seus longas nas locadoras de vídeo.
Hoje? Não há mais Kelly, nem Astaire, Garland, Cyd Charisse (as mais belas pernas de hollywood), Donald O'Connor, Ray Bolger (o eterno espantalho de O mágico de Oz) e a broadway virou um pastiche de si mesma. Logo, restou ao cinema americano sobreviver de superheróis vazios e personagens sobrenaturais babacas. Que triste sina! Ah, mestre... Se você pudesse ver o que fizeram com a meca do cinema, certamente estaria chorando agora. Eu estou. E um dos motivos é por saber que já são 30 anos sem o seu carisma e talento. Fazer o quê.






