O feriado do dia do comerciário começou já entrando de sola. Sacanagem!
A MPB e o samba perderam ontem um de seus maiores expoentes. O Brasil diz adeus à Benito di Paula, um artista que a geração nerdola de hoje em dia jamais conseguirá entender (pelo fato de estar presa ao próprio imediatismo e alienação). Ninguém levou o samba para outro patamar como ele. Não mesmo! Aqui em casa ele sempre foi uma entidade musical. E por algum motivo que nunca soube explicar direito sempre vi nele um sósia do ator Al Pacino. É... Talvez eu esteja louco de pedra. Mas que importa? Ele era gigante.
Seu nome de batismo: Uday Vellozo. E chegou, no início da carreira, a se apresentar nos palcos como Dai Veloso. Nasceu em Nova Friburgo, filho de um ferroviário de ascendência cigana. Era flamenguista e imperiano roxo. Foi crooner na noite, tocou em boates e bailes e começou sua carreira em Santos. Não tinha formação musical (o que torna sua habilidade no piano ainda mais impressionante). Foi o inventor do chamado Samba Joia, que para muitos críticos musicais é o precursor do pagode romântico que virou febre nos anos 1990 com grupos como Raça negra, Só pra contrariar e Negritude júnior, dentre tantos outros.
Se você, caro leitor, nunca em sua vida ouviu os hits 'Retalhos de Cetim', 'Charlie Brown' 'Do jeito que a vida quer' e 'Mulher Brasileira', pare de ler imediatamente. Este post definitivamente não é para você. É para entendidos do assunto, amantes da verdadeira música nacional, e não esse arremedo sonoro que lota estádios e festivais entra ano, sai ano.
Benito sofreu na mão dos velhos puristas e chegou a ser chamado de "traidor do samba", tudo porque decidiu inserir o piano clássico dentro de uma estrutura que eles consideravam proibida para novos elementos. Calou a todos. Seu samba, diferentemente de artistas como Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, segue um outro caminho, uma vertente própria, mais melódica, que lembra os antigos salões de baile.
Muitos consideram Um Novo Samba, lançado em 1973 pela gravadora Copacabana, como seu melhor trabalho. Em seu álbum de estreia (de 1971) decidiu peitar os militares e gravou 'Apesar de você', de Chico Buarque. Resultado: teve a faixa censurada. Além do enorme público no Brasil, ele também conquistou fãs internacionais como Stevie Wonder, Sarah Vaughan e Ravi Shankar. Além disso, virou tema no desfile das escolas de samba quando se tornou enredo da Águia de Ouro no Carnaval paulistano de 2025.
Encerro essa breve homenagem fazendo um pedido (por mais que pareça inútil, eu sei...) às novas gerações. Se permitam ouvir Benito. Ele já era uma das melhores coisas de nosso cancioneiro e merece todas as atenções no dia de hoje. E não somente ele, mas a verdadeira MPB, de sonoridade inigualável e ritmo inconfundível. Grande Uday! Fica com Deus, mestre!






