Desço a barra de rolagem deste blog para investigar algumas coisas (algo que costumo fazer com frequência, até para saber sobre o que eu estou escrevendo aqui - ou não) e me deparo com a triste notícia de que, em mais de 700 postagens, nunca falei do cantor e compositor Stevie Wonder, um artista fetiche dentro da minha formação musical. Como assim? Isso só pode ser piada de mau gosto ou um problema cognitivo sério da minha parte.
Ao mesmo tempo vejo imagens em minha rede social dizendo que Songs in the key of life, um de seus trabalhos mais apoteóticos, está completando 50 anos de existência em 2026. Quer motivo melhor do que esse para falar de Stevie Maravilha e seu cancioneiro irretocável? Então... Vamos lá!
Songs in the key of life tem muito do que tornou Stevie uma lenda da música (tanto na Motown, que o lançou, quanto depois dela). A começar pela faixa de abertura, a balada "Love's in need of love today". Procure por trilhas sonoras de clássicos do cinema dos anos 1980 ou alguma produção do Spike Lee e, certamente, você a encontrará figurando com todo o garbo. Outra boa pedida é "Contusion" (uma dica, aliás, para todo o álbum: prestem atenção na cozinha sonora que acompanha o cantor). É groove puro, raiz, da melhor qualidade.
Nos primeiros acordes de "Sir Duke" eu fico apaixonado por me (re)lembrar de porquê essa é um de minhas canções favoritas do artista. E eu sempre ouço ela mais de uma vez, não importa o que eu esteja fazendo naquele momento. É obrigatório. "If it's magic" vem para dar uma quebrada no ritmo, mas logo em seguida ele retorna em excelente forma com "As" (uma outra dica, de fã enjoado: procurem na internet pelo cover dessa música gravado por Mary J. Blidge e George Michael. É maravilhoso também!).
Acham que acabou? Nada. Ele tira da cartola a trinca "Another star" (e mais uma vez eu aviso: fiquem de olho na banda afiada), "I wish" - um furacão em forma de melodia e talento - e, claro, "Knocks me off my feet". E você, caro ouvinte, já estaria realizado por si só, quando ele emenda com "Pastime Paradise", cuja primeira versão que ouvi foi de uma trilha sonora para o filme Mentes perigosas, com a atriz Michelle Pfeiffer na pele de uma professora que precisa encarar uma turma rebelde num desses muitos colégios barra-pesada dos EUA.
Ufa! Agora sim, e... Agora sim o quê? Esqueceu de "Isn't she lovely" e sua gaita descomunal? De "Ebony eyes", clássico eterno de estações de rádio como Antena 1 e JB FM? Pelo amor de Deus, ouça essa relíquia musical mais de uma vez! Você deve isso, no mínimo, a esse gigante da música.
Foi por causa deste álbum que eu me tornei fã de Stevie Wonder para o resto da vida. Mesmo que ele nunca mais lance nada novo, mesmo que o próximo álbum dele (se houver) só seja lançado daqui a uma década, pelo que ele fez aqui - e com folga, como se não estivesse fazendo nada de mais - eu já aguardaria, cheio de expectativa. E quem viu o que ele fez ao vivo quando esteve aqui no Rock in Rio em 2011, vale sempre a pena ouvir algo novo dele. Repito: sempre.
Ficou curioso? Então, como eu digo sempre nesses posts sobre música e artistas que eu admiro desde sempre: toma vergonha na cara e vai lá ouvir, no you tube, no Spotify, no Deezer, em vinil, cassete, CD, DVD, onde você quiser. Mas houve, enquanto é tempo. Enquanto ainda é possível. Entendeu?






