sábado, 28 de fevereiro de 2026

A guerra nunca acaba

 


A guerra, como sempre, nunca acaba

não

nem pensar!

ela se sofistica

se reorganiza

mas acabar, nunca acaba

e não acaba porque os homens

- também os mesmos de sempre -

não abandonam seus objetivos escusos

seus fascínios deturpados 

seus ternos bem cortados

sua eterna mania de conquistar

ou de simplesmente não respeitar o outro

que outro?

qualquer outro

porque nessas horas

não importa etnia, status social, sexualidade

se o outro pensa (ou defende) 

algo minimamente diferente

precisa ser executado, exterminado, fulminado

mais que isso:

ele não pode sequer constar dos livros de história.


Os mísseis partem

de lá e de cá

atingem casas, prédios

destroem vidas

tudo feito por um reles joystick 

idêntico ao do Playstation do seu filho

em meros segundos

bum!

tudo acabou

tudo vira pó

tudo vira cinza

tudo vira passado. 


Enquanto isso

enquanto toda essa desgraça midiática acontece

tarifas impõem sanções

destroem reputações de países

crianças engravidam crianças

adultos traficam crianças 

jovens são destruídos pelas drogas

desemprego 

renda per capita baixíssima

populações consumidas pela indústria farmacêutica

quando mal sobra grana para pagarem seus aluguéis e hipotecas

e idiotas se divertem em resorts e festivais de música 

ao som de alguma cançoneta pop ou techno fraudulenta

e dançam

e gritam a plenos pulmões

e achincalham quem não pertence à classe privilegiada

e entopem suas redes sociais 

de seus fanatismos frustrados

tudo a troco de... de quê?

do nada existencial 

do niilismo já cansativo 

desse dia-a-dia cada vez mais monocromático 

e sem graça

- e bota sem graça nisso!


Até quando? 

- perguntam os devotos, os cristãos, os profetas -

até quando teremos de aturar mais um dia D

mais um conflito bélico 

mais um desajuste político 

provocado por meninos inseguros brincando de Deus

com seus dedos acusadores contra tudo que lhes pareça errado

enquanto seus próprios erros 

são varridos para debaixo do mesmo carpete imundo?


Esqueçam o dia seguinte

e os outros que vierem depois deste

são todos iguais em suas intenções malévolas

o objetivo oficial: a reconstrução do mundo

o real objetivo: a covardia disfarçada de valentia

o mundo anda cheio de bullies e imbecis

passeamos 30 minutos pela internet 

e nos deparamos com a legitimação do grotesco

a ignorância ganhou um status nunca antes visto

a guerra passou de televisionada 

à fracionada em vídeos verticais no melhor estilo tik tok

com o único intuito de entreter os anormais.


O show business virou sinônimo de morte e alienação

crianças são bombardeadas em colégios 

na verdade, são esterelizadas

mas o principal fator de preocupação 

de 9 em cada 10 especialistas em catástrofe

comentando no NYT, BBC, CNN, etc

é a quantas anda a Bolsa de Valores

está tudo bem em Wall Street?

então continuemos 

o resto... 

é narrativa

é fake News.


Vejo pela tela do celular os destroços

os gritos

o desespero 

o sentimento de impotência 

os semblantes derrotados 

de quem já conhece aquela cena

de quem já a viu antes, inúmeras vezes

aquela mesma expressão:

"é, acabou"

e ter de levantar a cabeça 

e recomeçar 

pela milionésima vez

sem saber se uma nova cena, idêntica,

está programada para daqui a uma ou duas horas 

(de repente, menos).


Destruímos o bom senso 

destruímos o direito de ir-e-vir

destruímos a possibilidade do diálogo

destruímos o viver coletivamente

destruímos até o prêmio nobel da paz

- que nunca foi essa coisa toda, diga-se de passagem! -

tudo em nome da ingratidão 

e do desejo dos mesmos prepotentes de sempre 

se acharem os "donos do mundo".


A seguir: 

as cenas dos próximos (mesmos) capítulos.

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