terça-feira, 18 de agosto de 2026

As duas damas


Olha... Que porrada! Duas de uma vez, não tem fã que aguente. A dramaturgia e a arte brasileira em geral perdem duas de suas maiores damas. Nesta terça-feira nos despedimos de Laura Cardoso e Glória Menezes, e aumentamos ainda mais aquela lista que já ficou famosa aqui neste blog de artistas insubstituíveis que partiram. 

Alguns artistas são magistrais, tanto que os seguimos apaixonados para onde quer que eles vão. Contudo, existem aqueles que nasceram para ser lendas. São inigualáveis naquilo que fazem. E por isso, nunca ficamos esperando que eles tenham sucessores (até porque dificilmente isso realmente acontecerá - e, na boa, está tudo bem, eu já entendi essa parte). Laura e Glória fazem parte desse seleto grupo. 

E basta ouvir seus colegas de profissão e, principalmente, de geração, para entendermos que não fomos os únicos a entender isso. Vejo um depoimento do ator Tony Ramos, emocionado, para o jornal da Globonews, e aquilo simboliza tudo o que eu penso sobre Laura e Glorinha. Fico imaginando gigantes da TV - como Suzana Vieira, Lima Duarte, Ary Fontoura, etc -, sabendo da notícia e refletindo sobre a perda que isso acarretará para a nossa cultura. 

Sim, elas eram sublimes e nada do que digam ao contrário me fará mudar de opinião.

Descobri a força de Laura antes, por causa dos desenhos animados. E vocês me perguntam o porquê. Ela era a voz da Betty, a esposa de Barney Rubble na animação Os Flintstones, que os programas infantis adoravam exibir. Já Glória, eu vi pela primeira vez como a Roberta Leone da inesquecível Guerra dos sexos, e ela me ganhou logo de cara. Ela não era só a esposa de Tarcísio Meira, o João Coragem. Não, senhor! Tinha luz própria - e muita.  

Entretanto, levando-se em consideração toda a carreira de ambas, eu sempre me lembrarei de Laura por causa de Dona Guiomar, a sogra possuída pelo espírito do filho morto, que infernizava a vida do genro (vivido por Miguel Falabella) na novela A viagem, e também por sua cena magistral como Manuela no filme Terra estrangeira, de Walter Salles, no qual ela enfarta e morre em frente à tv após a notícia do confisco da poupança durante o governo Collor. E Glória... Como esquecer da eterna Laurinha Figueroa, de Rainha da Sucata, e da Rosa - esposa de Zé Burro - em O pagador de promessas, Palma de Ouro em Cannes em 1962?

Ao fim, sobram as homenagens, as lembranças, revemos trabalhos antigos no you tube, certamente o Canal Brasil as homenagearão (elas fizeram muita coisa também no cinema), rememoramos seus sorrisos, suas gargalhadas, suas facetas mais sérias. Ambas fizeram rir e chorar como ninguém. Como poucos. Uma pena. A tv e o país ficam bem mais tristes hoje, duplamente. 

Onde quer que estejam, que fiquem em paz. Pois pela vida que tiveram, vocês certamente merecem. 


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