Vi umas imagens do remake (desnecessário, é bom ir logo dizendo!) de Highlander - o guerreiro imortal. E que sentimento de tristeza me acometeu. A começar pela escolha de Henry Cavill - mais conhecido pelo papel de Superman nos longas de Zack Snyder - como Connor MacLeod. Considero esse artista um dos maiores canastrões da atual hollywood, um ator que só garante sua presença em projetos grandes por personificar, para o público feminino, um ideal de beleza e charme. Ele seria, guardadas as devidas proporções, Um Marlon Brando, mas sem o menor talento. Mas não somente isso: o clima do remake proposto, a paleta de cores, tudo me parece um tanto equivocado.
E eis que de repente, um colega me cutuca e diz: "Ainda mais se tratando de um longa que está comemorando 40 anos em 2026, não é mesmo?". Como assim? O longa de Russell Mulcahy está completando quatro décadas? Já tem esse tempo todo? Mas isso merece um post à altura. Logo, vamos a ele.
Highlander é daquelas experiências cinematográficas que me marcou profundamente na adolescência, e numa época em que a programação televisiva não decepcionava (como hoje em dia). O longa de Mulcahy - um diretor que merece ser redescoberto pelas novas gerações, procure por sua ficha no IMDb - nos traz a jornada de Connor MacLeod (Christopher Lambert), um viking pertencente a uma linhagem de homens imortais, que é treinado por Juan Sanchez Villa-Lobos (Sean Connery) e fica sabendo da morte de sua amada pelas mãos de seu maior inimigo, Kurgan (Clancy Brown).
Passados vários séculos e batalhas feéricas onde o lema entre eles é "só pode existir um" e a execução precisa acontecer arrancando a cabeça do adversário, MacLeod e Kurgan se reencontrarão para um duelo final. Contudo, uma pesquisadora encontrará um objeto que remete a eras passadas num desses campos de batalha e ficará intrigada com a figura de Connor, querendo saber mais sobre sua história.
Se em Star Wars nos anos 1970 pudemos testemunhar Luke Skywalker e Darth Vader duelando com seus sabres de luz, aqui o que vemos são batalhas mais clássicas, com espadas forjadas no velho metal, na mesma linha de produções como Conan, o bárbaro (John Millius) e Guerreiros de fogo (de Richard Fleischer). A principal diferença aqui é que a trama principal é deslocada para os dias atuais, dando ao longa, em alguns momentos, um aspecto meio de ficção-científica B.
Highlander foi um filme repleto de curiosidades, a começar pelas faíscas das espadas nas cenas de batalha. Como não havia tecnologia de última geração naquele tempo, eles acoplaram as espadas à baterias de carros para reproduzir o efeito pretendido. Há relatos de que a narração do longa - feita por Connery - teria sido produzida dentro do banheiro de um estúdio, para poder manter a acústica impecável. E o fato de Christopher Lambert não falar inglês na época também gerou empecilhos, pois ele precisou decorar suas falas de forma fonética.
Já no quesito trilha sonora, um adendo importante ao longa: as músicas foram produzidas pela banda de rock Queen, e se tornaram fenômenos na época. Na verdade, elas são com folga uma das melhores coisas do filme.
Ironia máxima: Embora muito se fale do longa hoje em dia, Highlander não foi um sucesso de bilheteria na época de seu lançamento. Pelo contrário. Foi um verdadeiro fiasco comercial e olha que ele nem teve um custo de produção tão alto assim (algo em torno de 16 e 20 milhões de dólares). Ele acabou por se tornar uma peça cult com o passar dos anos pelas gerações posteriores a que viram o filme nos cinemas. E, ao fim, o que precisa ficar de registro desse post é que se trata de um fenômeno televisivo gigantesco no Brasil, principalmente nos anos 1980 e 1990. Teve três continuações e um seriado spin-off, mas nenhum deles digno de maior menção (o que é uma pena).
Aproveitem! É possível encontrá-lo com facilidade (e dublado) no you tube.

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