terça-feira, 13 de outubro de 2026

Punk: 5 décadas de puro rock n' roll


Alguns "entendidos e especialistas" irão lhe dizer que foi dois anos antes ou um ano depois, mas para a grande maioria dos críticos que escrevem sobre música pop o movimento punk começou em 1976, ou seja, há cinco décadas. E acreditem: até hoje, nada do que foi feito dentro do gênero merece receber a alcunha de rock tanto quanto esses caras vistos como sem noção e arrogantes. Seja pela liberdade de criação, seja pela postura anti-mainstream que faz com que as bandas e o cancioneiros produzidos por eles se tornem exemplos de legitimidade.

Há, porém, que se levar em consideração três fatores que motivaram (e muito) o surgimento e a ascensão do punk, tanto entre britânicos como americanos: 1) a crise econômica que pairava no período; 2) as altas taxas de desemprego entre as classes mais jovens; e principalmente 3) uma insatisfação social generalizada com os rumos do mundo naquele momento específico. Ponto. Estava ali instaurado um catalisador fortíssimo, responsável pela cultura do "Do it yourself" (faça você mesmo!). Era preciso, portanto, criar sua própria possibilidade de subsistência, pois do contrário aquela classe minoritária permaneceria eternamente no ostracismo. E foi exatamente o que fez aquele grupo de jovens rebeldes e sem papas na língua.

E não somente a música em si. O movimento punk também introduziu na cultura pop o segmento dos fanzines (muito popular aqui no Brasil nos anos 1990), trazendo conceitos como improvisação e barateamento na produção à tona.

O álbum homônimo do Ramones (1976) é considerado por muitos como o pontapé inicial do movimento. Contudo, há um grupo que prefere acreditar que Never mind the bollocks, here's the Sex Pistols (1977) tem uma importância maior, por se tratar da banda mais icônica daquele período para uma grande parcela de ouvintes. Discussões à parte, vale a pena, caro ouvinte, ouvir os dois seguidamente para entender a superfície daquele momento.

Roupas rasgadas, cabelos coloridos até dizer chega, penduricalhos e adornos os mais diversos, tudo junto compondo uma figura andrógina, completamente desplugada daquela realidade insana e monetariamente difícil. Some a isso as vozes gritadas de alguns vocalistas e o enfrentamento, a postura não somente cool, como também atrevida em todos os lugares (fosse em cima do palco ou não), e bum! nascia ali um fenômeno certo e que deixou raízes profundas no rock n' roll mundial.

Sex Pistols, Ramones, Black Flag, Bad Religion, The Clash, Dead Kennedys, Misfits, Green Day, The Slits (a primeira banda totalmente feminina do gênero), MC5, Iggy pop and The stooges, New York Dolls, Agent Orange, The Adicts, The Undertones, The Hives, Avail, Anti-Flag, The Ataris, Avail, The Boomtown Rats, Asta Kask, Angelic Upstars... A lista é imensa e somente a pesquisa já valeria por um livro autoral ou, no mínimo, uma tese de doutorado bem escrita e defendida. Todos eles brincaram, ousaram, gritaram, se desnudaram pelo punk. E mais: fazendo com que suas plateias embarcassem na onda com a mesma fúria e proporção.

Aqui no Brasil tivemos também uma cena interessantíssima, com grupos como Os inocentes, Ratos do porão, Os replicantes, Garotos podres, Porcos cegos, Restos de nada, Cólera, Tequila baby, Aborto elétrico (que gerou, posteriormente, as bandas Legião Urbana e Capital Inicial), Submundo, As mercenárias, etc etc etc. Recomendo os ainda crus ou novatos no assunto que procurem pelo excelente documentário Botinada – A origem do punk no Brasil, dirigido por Gastão Moreira (Ex-VJ da MTV) e com o Clemente (vocalista dos Inocentes) na produção. É fácil de encontrá-lo no you tube em qualidade HD e vale cada segundo.

E pensar que depois de toda essa revolução, o que vemos hoje em dia no segmento rock é um festival de estrelas vazias, cantando uma musiquinha mais pop que rock, de doer, e ainda por cima cheia de marra, achando-se a grande inovação do momento. Negros tempos! Que este post fique no imaginário de quem o ler como um grande gatilho, para que se procurem os discos da época (tem muita coisa boa, remasterizada, dando sopa na internet) e tentem entender o que significou de fato aquela postura revolucionária que continua na mente das pessoas depois de tanto tempo. Ouçam! ouçam o máximo que puderem! O rock em seu estado mais puro agradece.


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