sexta-feira, 20 de março de 2026

A lenda


O título desse post parece, no mínimo, irônico, mas em se tratando do ator e mestre das artes marciais Chuck Norris, que faleceu ontem, aos 86 anos, não é nenhuma novidade. Foi assim que ele acabou se tornando conhecido entre os fãs mais ardorosos depois que virou meme de internet, anos depois de ter se aposentado das telas. O homem que nada destruiria, inatingível. 

Carlos Ray "Chuck" Norris foi, antes de ator de filmes de ação em hollywood, membro da força aérea dos Estados Unidos. Mas a grande maioria do público fã de cinema o conhece mesmo como pupilo de Bruce Lee e astro de grandes franquias. 

Impossível se lembrar de seu legado cinematográfico e não citar o extraordinário Braddock e também os dois longas da série Comando delta (longa que eu tinha um enorme fetiche e vivia reassistindo nos tempos de videolocadoras). Em ambos ele vivia um herói de guerra acionado para lidar com tensões envolvendo terroristas e ditadores. Tudo isso numa época em que expressões como cinema brucutu e "exército de um homem só" eram vastamente difundidas entre cinéfilos os mais apaixonados. 

Outro personagem dele que repercutiu por anos foi o de Texas ranger, o patrulheiro das ruas, tanto no filme McQuade: o lobo solitário como na série de mesmo nome que, de certa forma, encerrou sua carreira nas telas. 

O curioso é que passado os tempos de sopapos e bilheteria, Chuck Norris se reencontrou como religioso (uma faceta que ele havia abandonado na adolescência). Tornou-se pastor da igreja batista norte-americana, chegando a liderar um ministério. Para muitos fãs que o acompanharam em produções como Comboio da carga pesada, Octagon - escola de assassinos, Vingança forçada e tantos outros hits, talvez tal informação possa parecer um delírio ou invenção, mas na verdade Chuck disse ter se reencontrado de fato como homem e cidadão somente quando fez as pazes com sua fé.

Nos últimos tempos muita gente que acompanhou sua carreira de forma fervorosa, seja no cinema, seja em vídeo, ficou decepcionado com ele ao saber que aderiu ao MAGA, mentalidade proposta pelo presidente Donald Trump, que defende a América (no caso, os Estados Unidos) em primeiro lugar. Chegaram a dizer na internet que ele havia vendido a sua alma e estragado a sua história. 

Honestamente... Não cabe a mim discutir as convicções políticas do autor, independente de eu concordar ou discordar delas. Meu interesse por Chuck Norris sempre foi o artístico e continuo defendendo o seu papel e legado na sétima arte. O resto me parece disputa por território que nunca leva a lugar nenhum. 

Recomendo aos que não conhecem sua obra que procurem entre os quase 50 créditos nos quais ele atuou. Aposto que encontrarão muita coisa boa. E o mais importante: o cinema de ação da época em que Norris estava em evidência - bem como Stallone, Van Damme e cia. - é completamente diferente do de hoje, baseado em narrativas repetidas criadas em IA e falta de originalidade. Logo, apreciem! É um tempo que não volta mais, infelizmente. 

De resto, fica a lembrança de mais um nome forte da indústria de cinema norte-americano que nos deixa (e, de novo, sem substituto à altura). 


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